terça-feira, 3 de maio de 2011

A Mula-sem-cabeça


Quando eu era criança uma das historias que meu tio sempre contava para mim e meus primos, era a da mula-sem-cabeça. Nossa eu chegava a tremer de medo. Meu Pai quando nos contava essa historia fazia gestos e caras que nos assustava, ele dizia que numa Sexta-Feira, o Tio Hélio sentado na varanda da casa do seu pai Carmo Claudio, o já falecido seu Bisavô, acabava de fumar um cigarro enquanto ia agradecendo o jantar e o café. “Pai tô indo, amanhã preciso acordá cedo, tenho que terminar a cerca do Manograsso. Boa noite.” “Boa noite meu filho.” O tio Hélio, desceu o degrau da varanda , atravessou o terreiro, pegando a trilha que levava à sua casa. Para chegar a sua casa haviam dois enormes pés de manga, por onde passava a trilha. Entre os pés de manga havia uma valeta, bem funda, a mesma era utilizada para escoar a água do sítio do seu bisavô , para o Rio Paraíba na época das chuvas. Por sobre esta valeta , passava uma ponte de madeira, grossa com mais ou menos vinte centímetro de espessura, de cor cinza, com algumas pequenas rachaduras. E lá ia o tio Hélio, caminhando na trilha, pensando nos catoeiros armado por entre as capituvas, na margem do rio em frente a Ilha do Vô Heitor. À noite, calada pelo brilho da lua cheia estava silenciosa. Já estava no meio da pequena ponte, quando ouve o canto assustador da coruja pousada no morão de cerca , súbito uma brisa leve balança as folhas da mangueira. Seus cabelos se arrepiam, os pelos também. O coração acelera, o peito pesa. Por de trás do tronco enorme da mangueira vem a fera, soltando lavareda de fogo por onde deveria ficar a cabeça. Altiva com a pele de coloração branca vai deixando pegadas de fogo por onde pisa.
                 Nessa hora que meu pai falava eu tremia, tremia...A mula sem cabeça aparece , muda o rumo e vem em direção ao Tio Hélio, que agora está paralisado no meio da pequena ponte, sem mesmo nem respirar.  Mula sem Cabeça! Escapá desta é fácil, você tem que fechar a boca , é pra ela não vê os dentes e fechar a mão que é prá ela não vê as unhas. Fazendo isto! Ela vai embora sem fazer mal a ninguém.Dizia o meu pai que era assim que devia fazer. A boca do tio Hélio já estava fechada, fechando as suas mãos para esconder as unhas. Agora a mula sem cabeça deu uma parada mais ou menos à dois metros de distância dele. Deu uma fungada e lentamente foi embora, atravessou a cerca de arame farpado, pegando a estrada em direção á Fazenda Caiçara. No final da historia eu ficava morrendo de medo de encontrar uma mula sem-cabeça.

                                                                                                            (Laíse Patrícia)

Travessura :Ainda vou naquele rio...

A travessura que mais marcou a minha vidae principalmente a dos meus pais, foi quando resolvi conhecer um rio que havia perto da minha casa. Tudo aconteceu quando meus pais prometeram me levar para conhecer o rio, eu queria ir naquele momento, mas meus pais disseram que não, que outro dia me levaria. Por ser uma criança de 4 anos muito levada, saí de casa escondida e fui procurar o tão sonhado rio,mas não o encontrei e me perdi no meio do caminho e fiquei sentada numa calçada esperando meus pais. Quando eles perceberam a minha ausência começaram a me procurar e pedir ajuda aos vizinhos até que finalmente me encontraram e me deram um abraço forte. Apesar de ter acontecido tudo isso por causa de um rio houve um final feliz, meus pais me levaram para conhecer e tomar um maravilhosa banho de rio.

                                                                                                                                    (Laíse Patrícia)

Brincadeiras da minha infância

Lembro-me que aos seis a sete anos de idade,toda a noite me reuniacom minhas amigas para brincar de roda, e algumas cantigas de roda que mim recordo são as seguintes:

Fui á Espanha pegar meu chapéu:

Fui à Espanha pegar meu chapéu azul e branco da cor daquele céu;
Olha palma, palma, palma, olha pé, pé, pé, olha roda, roda, roda, caranguejo peixe é;
Caranguejo só é peixe na enchente da maré;
Olha samba de ouro que vem da Bahia, pega as crianças e joga na bacia;
 A bacia é de ouro, areado com sabão, depois de areada vai lavar seu roupão;
Seu roupão é de seda camisinha de filó, cada qual pegar seu par e benção da vovó, benção vovó, benção vovó.
                                                                                          
Terezinha de Jesus

Eu vi alguém debaixo do laranjal, apanhando rosa branca, rosa branca para mim dar;
Rosa branca é casamento alguém quer casar, olhe isso, olhe isso, olhe lá;
Teresinha de Jesus deu um tombo foi ao chão acudir seus cavalheiros todos de chapéu na mão;
O primeiro foi seu pai, o segundo seu irmão, o terceiro foi aquele a quem ela deu a mão;
 Da laranja quero gomo da maçã quero um pedaço, do menino mais bonito quero um beijo e um abraço.

Pobre de marre, marre, marre
 Nessa brincadeiradividem-se as pessoas em dois grupos, onde de um lado existe opai que é pobre, do outro um rapaz que é rico, então o pai vende suas filhas uma por uma e em troca o rico as presenteia com coisas valiosas.
(bis)Eu sou rica, rica, rica de marre, marre, marre;
(bis)Eu sou pobre, pobre, pobre de marre, marre, marre deu sim,
(bis) Escolha uma de nossas filhas, de marre, marre, marre deu sim;
(bis) Eu escolho alguém de marre, marre, marre;
 (bis) Que presente dá a ela de marre, marre, marre, deu sim.
 (bis) Eu dou um anel de ouro de marre, marre, marre deu sim

Essas foram algumas das brincadeiras que eu mais gostava de brincar na minha infância, pois essa fase da minha vida foi muito divertida e sem preocupações, de modo, que dividia o meu tempo em estudar e brincar.
                                                              Rafaela Feitosa
















segunda-feira, 2 de maio de 2011

O Lobisomem

 Com o passar dos anos os mitos e lendas não são contados com a mesma intensidade que anos anteriores, as lendas não estão tão presentes na infância das crianças. Porém algumas lendas continuam a amedrontar algumas crianças,como por exemplo o Bicho Papão, o homem do carro preto e o famoso lobisomem, o qual será destacado entre os demais nesta descrição.
             De acordo com alguns relatos de nossa turma, a história do Lobisomem amedrontou bastante as noites destas meninas.Segundo o que nossas mães e avós contavam, se alguém agredisse sua mãe de forma física (violenta) de alguma forma a conseqüência seria das grandes, pois em noite de lua cheia este sujeito virava lobisomem, onde nestas noites durante a madrugada esse homem meio lobo também se transformava e ficava andando pelas ruas até amanhecer.
              Recordo que minha avó contou que um dia descobriram quem era o lobisomem da minha rua, isto porque alguns homens saíram para caçar na mata, e em uma dessas noites, o lobisomem apareceu para atacar os caçadores, que um deles o feriu com um facão, cortou uma das patas dianteiras do bicho, que saiu correndo e sangrando muito.
                No dia seguinte, na usina onde estes mesmos homens que caçavam  durante a noite trabalhavam, apareceu um dos trabalhadores com o braço enfaixado, pois tinha aparência de ter se machucado com faca ou facão. Os homens que presenciaram o ataque do lobisomem ficaram assustados, surpresos e resolveram investigar a suspeita que o seu colega de trabalho era o lobisomem. Decidiram espera uma noite de lua cheia para vigiar a casa do suspeito, o qual realmente era o lobisomem pois os homens avistaram ele saindo de casa transformado. Então os homens o prenderam, depois de muito o lobisomem resistir, o amarraram e colocaram dentro de uma gaiola grande, para que pudesse jogar o lobisomem no rio, para que não pudesse assustar e nem machucar outras pessoas e deixara  rua em paz, o lobisomem foi jogado no rio. Mas não foi comprovada sua morte, ou seja não se sabe se ele morreu ou se libertou.
              Então não posso afirmar que esta história é verdade, ou que é mentira,apenas afirmo que se trata de história infantil, onde podemos encontrar várias em nossas memórias e que fazem parte de histórias de vida.

                                                                                                                                       (Gilliane França)

Bolo de Lama


Amava fazer bolos de lama, utilizava como forma para fazer os bolos os depósitos da minha mãe, ela ficava uma fera. E para decorar o mesmo, utilizava creme dental, levei muitos puxões de orelha, pois acabava com o estoque de creme dental da minha casa, era muito divertido.

                                                                                                                                 Josineide Teixeira


Imagem disponível em: <http://www.flickr.com/photos/tanianacamurapaques/5483351146/>. Acesso em 01 de maio de 2011.

Brincadeira de Boneca


Lembro-me que brincava de rouba bandeira, queimado, panelada, elástico, esconde-esconde, boneca, entre outras. Mas a brincadeira que marcou a minha infância por ser a favorita, foi a de boneca. Eu tinha muitas bonecas, mais gostava de uma em especial, o nome dela era "mimadinha", ela se assemelhava a um bebê de verdade, ela sorria, chorava e falava mama e papa, eu amava a minha linda boneca. Passamos longas tardes juntas, brincava de ir ao pediatra, de escola, fazia seu aniversário, contava histórias para ela dormir, era tudo mágico e maravilhoso.

                                                                                                                   Josineide Teixeira


Imagem disponível em: <http://www.littlemommy.com.br/>. Acesso em 01 de abril de 2011.

Brincadeiras de rua.

A minha rua era cheia de crianças. Tantos meninos quanto meninas. A minha avó não permitia que eu brincasse com meninos. Ela sempre dizia: “meninos brincam com meninos e meninas com meninas” e é claro que eu como uma boa teimosa que sou sempre dava um jeito de ignorar essa regra. Brincávamos de tudo: pular corda, esconde-esconde, teatrinho, rouba bandeira, anel, elástico (claro que essas duas últimas só para meninas), entre muitas outras.
As brincadeiras só entre meninas geralmente eram mais delicadas. A preferida era boneca fossem elas Barbie ou bebezão só que nunca tínhamos acessórios, roupas ou namorados, pois o Bobi que era o namorado da Barbie (hoje ele se chama Kein) era muito caro e não possuíamos esses maravilhosos cartões de créditos que dividem tudo em 10 suaves prestações. Aí alguém sugeriu que cortássemos as imagens de mulheres da revista Hermes e assim teríamos roupas, namorado, mesa, bolsa, ou seja, uma casa completa. Passávamos horas sendo as mulheres da Hermes. Quando alguém estava de castigo, ou não podia brincar de correr, todos se juntavam em alguma calçada e brincávamos de detetive, vítima e ladrão, adedonha entre outras.
Olho para o tempo que eu era criança, onde toda de tardinha tomava banho e ia para porta, agradeço a minha família por ter tido infância. Por ter brincado muito, vivido num tempo em que jogos eletrônicos eram mais um tipo de brincadeira e não praticamente a única. Tento resgatar e muitas vezes ensinar as crianças que eu convivo essas brincadeiras infantis. Que são inocentes e necessariamente não tem um que ganha e outro que perde. Onde o objetivo no jogo não é bater recorde e sim aproveitar a brincadeira, brincar pela diversão.
No meu tempo de criança a gente botava os patins nos pés e a queda, o baque era quem ensinava a deslizar. Hoje em dia é capacete, joelheira, cotoveleira, luva para finalmente colocar os patins. Ou seja, a criança cansa só em colocar essa aparelhagem toda. Também não estou querendo dizer que equipamentos de segurança sejam ruins, pelo contrário são ótimos. O que quero destacar é a paranoia em torno das brincadeiras das crianças, que tem uma função muito castradora, não pode se sujar, não pode cair etc. e etc. Afinal de contas um pouquinho de mertiolate não faz mal a ninguém.
                                                                                                                 (Postado por Pamela)